ARTIGO DE REVISÃO
PREVALÊNCIA DA SÍNDROME DE BURNOUT EM PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM NAS UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
PREVALENCE OF BURNOUT SYNDROME AMONG NURSING PROFESSIONALS IN INTENSIVE CARE UNITS: A SYSTEMATIC REVIEW
PREVALENCIA DEL SÍNDROME DE BURNOUT ENTRE PROFESIONALES DE ENFERMERÍA EN UNIDADES DE CUIDADOS INTENSIVOS: UNA REVISIÓN SISTEMÁTICA
https://doi.org/10.31011/reaid-2026-v.100-n.1-art.2674
1Veronica de Souza Manhães
2Diego Gama Linhares
3David da Mata Ferreira Fidelis
4Maria Luísa Caldas Barboza de Oliveira
5Millena de Oliveira Lima
6Alessandro Barbosa de Oliveira
7Pedro Quintanilha Pinto
8Letícia Aguiar da Silveira
9Rodrigo Gomes de Souza Vale
1Universidade Estácio de Sa, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil, https://orcid.org/0009-0008-0343-3115,
2Universidade Estácio de Sa, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil, https://orcid.org/0000-0002-2901-3273
3Universidade Estácio de Sa, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil, https://orcid.org/0009-0007-1716-9362
4Universidade Estácio de Sa, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil, https://orcid.org/0009-0006-6601-3017
5Universidade Estácio de Sa, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil, https://orcid.org/0009-0007-3603-6207
6Universidade Estácio de Sa, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil, https://orcid.org/0009-0002-2368-8461
7Universidade Estácio de Sa, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil, https://orcid.org/0009-0008-5352-1201
8Universidade Estácio de Sa, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil, https://orcid.org/0009-0008-4064-5352
9Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, https://orcid.org/0000-0002-3049-8773
Autor correspondente
Diego Gama Linhares
R. São Francisco Xavier, 524 - Maracanã, Rio de Janeiro - RJ, Brasil. 20550-013 - E-mail: diegamalin@gmail.com,
Submissão: 19-10-2025
Aprovado: 14-01-2026
RESUMO
Objetivo: Analisar a prevalência da síndrome de Burnout em profissionais de enfermagem nas unidades de terapia intensiva. Métodos: Foram utilizados os critérios Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) e a estratégia PICOS nesta revisão sistemática. Para a avaliação de qualidade metodológica foi utilizado o instrumento de Joanna Briggs Institute (JBI). Este estudo foi registrado no registro prospectivo internacional de revisões sistemáticas (Prospero). Resultados: As bases de busca foram PubMed, Scopus, Cochrane e Scielo, totalizando 1594 publicações. Após a utilização dos critérios de seleção, 18 estudos foram incluídos nesta revisão sistemática. Foram utilizados diferentes instrumentos na avaliação da síndrome de Burnout, sendo que 83% dos estudos analisados pela ferramenta Maslach Burnout Inventory (MBI). A amostra total dos estudos incluídos nesta revisão sistemática foi de 3964 participantes. Conclusão: Este estudo concluiu que há grande prevalência da síndrome de Burnout em profissionais da enfermagem.
Palavras-chaves: Enfermagem; Síndrome de Burnout; UTI.
ABSTRACT
Objective: To analyze the prevalence of burnout syndrome among nursing professionals in intensive care units. Methods: The Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) criteria and the PICOS strategy were used in this systematic review. The Joanna Briggs Institute (JBI) instrument was used to assess methodological quality. This study was registered in the international prospective register of systematic reviews (PROSPERO). Results: The search databases were PubMed, Scopus, Cochrane, and Scielo, totaling 1,594 publications. After applying the selection criteria, 18 studies were included in this systematic review. Different instruments were used to assess burnout syndrome, with 83% of the studies analyzed using the Maslach Burnout Inventory (MBI). The total sample of studies included in this systematic review was 3,964 participants. Conclusion: This study concluded that burnout syndrome is highly prevalent among nursing professionals.
Keywords: Nursing; Burnout Syndrome; ICU.
RESUMEN
Objetivo: Analizar la prevalencia del síndrome de burnout entre profesionales de enfermería en unidades de cuidados intensivos. Métodos: En esta revisión sistemática se utilizaron los criterios PRISMA (Revisiones Sistemáticas y Metaanálisis) y la estrategia PICOS. Se empleó el instrumento del Instituto Joanna Briggs (JBI) para evaluar la calidad metodológica. Este estudio se registró en el registro prospectivo internacional de revisiones sistemáticas (PROSPERO). Resultados: Las bases de datos de búsqueda fueron PubMed, Scopus, Cochrane y Scielo, con un total de 1594 publicaciones. Tras aplicar los criterios de selección, se incluyeron 18 estudios en esta revisión sistemática. Se utilizaron diferentes instrumentos para evaluar el síndrome de burnout; el 83% de los estudios analizados utilizaron el Inventario de Burnout de Maslach (MBI). La muestra total de estudios incluidos en esta revisión sistemática fue de 3964 participantes. Conclusión: Este estudio concluyó que el síndrome de burnout tiene una alta prevalencia entre los profesionales de enfermería.
Palabras clave: Enfermería; Síndrome de Burnout; UCI.
INTRODUÇÃO
A Organização Mundial da Saúde reconheceu a síndrome de Burnout na última edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como um "fenômeno ligado ao trabalho", que surge devido à má administração de ambientes laborais desafiadores. Ultimamente, a pesquisa sobre a síndrome de Burnout tem aumentado, com um enfoque particular em trabalhadores da área da saúde. A incidência dessa síndrome entre esses profissionais está conectada à exposição prolongada a desafios emocionais e a extensas jornadas de trabalho sem um descanso adequado. Esses elementos têm gerado um aumento do estresse e elevados níveis de fadiga tanto física quanto emocional. 1
Os profissionais da área da saúde apresentam índices mais elevados de faltas motivadas por sofrimento psicológico e burnout em comparação a trabalhadores de outros setores. Fatores psicossociais, como a exposição contínua ao estresse no trabalho, aumentam a vulnerabilidade desses profissionais ao presenteísmo (diminuição da produtividade), bem como ao desenvolvimento de ansiedade e depressão. O estresse ocupacional está associado a condições do ambiente laboral que afetam negativamente a saúde física e mental, favorecendo o surgimento do esgotamento profissional. Além disso, os sistemas de saúde dos países desenvolvidos enfrentam pressões adicionais devido às limitações financeiras, ao envelhecimento populacional, ao avanço das tecnologias e à dificuldade de reter profissionais. 2,3
Certos fatores de risco podem aumentar a probabilidade de desenvolver a síndrome de Burnout, incluindo conflitos e dificuldades financeiras no ambiente de trabalho, excesso de carga horária, além de problemas de comunicação ou de organização. Profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e assistentes sociais) apresentam maiores riscos, pois mantêm contato diário com indivíduos gravemente enfermos. 4–6
Este estudo justifica-se pela necessidade de atualização sobre o estado de saúde de profissionais de enfermagem, especialmente pela crescente incidência da síndrome de Burnout nesta população, este estudo descreve de forma sistematizada a temática. Analisar a prevalência da síndrome de Burnout em profissionais de enfermagem nas unidades de terapia intensiva.
MÉTODOS
Os critérios Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) foram utilizados nesta revisão sistemática 7. PROSPERO é um registro internacional de revisão sistemática, este estudo foi registrado sob o número CRD420251117262.
Processo de Inclusão
A estratégia PICOS 8 foi utilizado e definido da seguinte forma: População: Profissionais de enfermagem; Intervenção: Não aplicada; Comparação: Não aplicada; Desfecho: Sindrome de Burnout; Delineamento do estudo: estudos descritivos. Foram excluídos estudos que envolveram revisões sistemáticas e metanálises, e estudos que não foram publicados em periódicos.
Estratégia de busca
As buscas foram realizadas de 02/06/2025 to 10/06/2025. Os operadores booleanos (AND, OR) foram utilizados formando a frase de busca: Nurses AND "Intensive Care Units" AND Burnout. Os descritores seguiram o Medical Subject Headings (MeSH) e Descritores em ciências da saúde (DeCS). As estratégias de busca por bases foram: Pubmed: ("nurse s"[All Fields] OR "nurses"[MeSH Terms] OR "nurses"[All Fields] OR "nurse"[All Fields] OR "nurses s"[All Fields]) AND "Intensive Care Units"[All Fields] AND ("burnout s"[All Fields] OR "burnout, psychological"[MeSH Terms] OR ("burnout"[All Fields] AND "psychological"[All Fields]) OR "psychological burnout"[All Fields] OR "burnout"[All Fields] OR "burnouts"[All Fields]); Scopus: (TITLE-ABS-KEY (nurse) AND TITLE-ABS-KEY (burnout) AND TITLE-ABS-KEY (intensive AND care AND units)); Cochrane: Nurse AND Burnout AND Intensive Care Unit in Title Abstract Keyword; Scielo: Nurse AND Burnout. O software Zotero 6.0.30 foi utilizado para no processo de triagem dos estudos.
Avaliação da qualidade metodológica e risco de viés
Para a avaliação de qualidade metodológica foi usado o instrumento de Joanna Briggs Institute (JBI). O instrumento é formado por oito questões que avaliam, especificamente, a metodologia de estudos descritivos de corte transversal, quais sejam: Q1 - Os critérios para inclusão na amostra foram claramente definidos? Q2 – Os sujeitos do estudo e o cenário foram descritos em detalhes? Q3 – A exposição foi medida de forma válida e confiável? Q4 – Critérios e objetivos padronizados foram usados para medir a condição? Q5 – Fatores de confusão foram identificados? Q6 – Estratégias para lidar com fatores de confusão foram declaradas? Q7 – Os resultados foram medidos de forma válida e confiável? Q8 – Análise estatística apropriada foi usada? Para categorização das pesquisas foram usados os símbolos S = Sim; N = Não; NC = Não Claro para cada questão. Os critérios para classificação foram os seguintes: “Baixa qualidade” quando houver até três respostas “Sim”; “Moderada qualidade” quando houver quatro a seis respostas “Sim”; e “Alta qualidade” quando houver sete ou mais respostas “Sim”.9
RESULTADOS
Os dados extraídos foram divididos por autoria, ano de publicação, país, características da população, resultados e desfechos.
As bases de busca foram (MEDLINE via PubMed = 536; Scopus = 968; Cochrane = 40; Scielo= 50), totalizando 1594 publicações. Após a utilização dos critérios de seleção, 18 estudos foram incluídos nesta revisão sistemática (Figura 1).
Figura 1 - Fluxograma Prisma

Quadro 1 – Avaliação da qualidade metodológica e risco de viés
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n° |
Autor/ Ano |
Q1 |
Q2 |
Q3 |
Q4 |
Q5 |
Q6 |
Q7 |
Q8 |
Classificação de qualidade |
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1 |
De Aragão et al. 201910 |
S |
S |
NC |
S |
S |
N |
S |
S |
Moderada |
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2 |
Cabrera et al. 201811 |
S |
S |
S |
S |
S |
S |
S |
S |
Alta |
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3 |
Alkubati et al. 202512 |
S |
S |
S |
S |
S |
S |
S |
S |
Alta |
|
4 |
Myhren et al. 201313 |
S |
S |
S |
S |
S |
S |
S |
S |
Alta |
|
5 |
Cecere et al. 20234 |
S |
S |
S |
S |
S |
S |
S |
S |
Alta |
|
6 |
Gunduz e Ozturk, 202515 |
S |
S |
S |
S |
S |
S |
S |
S |
Alta |
|
7 |
Bartz e Maloney, 198616 |
S |
S |
NC |
S |
S |
N |
S |
S |
Moderada |
|
8 |
De Sousa Veloso et al. 202417 |
S |
S |
NC |
S |
S |
S |
S |
S |
Alta |
|
9 |
Nowacka et al. 201818 |
S |
S |
NC |
S |
S |
S |
S |
S |
Alta |
|
10 |
Ozden et al.19 |
S |
S |
NC |
S |
S |
S |
S |
S |
Alta |
|
11 |
Chen e McMurray,20 |
S |
S |
NC |
S |
S |
S |
S |
S |
Alta |
|
12 |
Zhang et al. 201421 |
S |
S |
NC |
S |
S |
N |
S |
S |
Moderada |
|
13 |
Sok et al. 202022 |
S |
S |
S |
S |
S |
S |
S |
S |
Alta |
|
14 |
Wright et al. 199323 |
S |
S |
S |
S |
S |
N |
S |
S |
Alta |
|
15 |
Xie et al. 202024 |
S |
S |
S |
S |
S |
N |
S |
S |
Alta |
|
16 |
Yanbei et al. 202325 |
S |
S |
NC |
S |
S |
N |
S |
S |
Moderada |
|
17 |
Yildiz et al. 202326 |
S |
S |
NC |
S |
S |
N |
S |
S |
Moderada |
|
18 |
Yousif e Al-Fayyadh, 202527 |
S |
S |
NC |
S |
S |
N |
S |
S |
Moderada |
Na tabela 1 foram utilizados diferentes instrumentos na avaliação da síndrome de Burnout, sendo que 83% dos estudos analisados pela ferramenta Maslach Burnout Inventory (MBI). A amostra total dos estudos incluídos nesta revisão sistemática foi de 3964 participantes.
Tabela 1 – Dados extraídos dos estudos
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Autor-ano/ país |
Desenho do estudo |
População |
Instrumento de avaliação |
Resultados |
|
De Aragão et al. 201910/ Brasil |
Transversal |
Enfermeiros com idade média de 42 anos (n= 65) ♂♀ |
Maslach Burnout Inventory; Job Content Questionnaire (JCQ) |
Houve prevalência de 53.6% com síndrome de Burnout. Apenas 4.6% fumavam, 50.8% utilizavam bebidas alcoólicas, 46.2% não praticavam exercícios físicos, 49.2% trabalham acima de 54h semanais |
|
Cabrera et al. 201811/ Espanha |
Transversal |
Enfermeiros (n= 56) com idade média 29 anos, e auxiliares com idade média 39 anos (n= 41). ♂♀ |
Maslach Burnout |
Houve diferença (p<0.05) no domínio exaustão emocional no GE2 (Auxiliares) na avaliação intragrupo comparando profissionais que atuavam na UTI com ambulatório. Nos domínios exaustão emocional, realização profissional e despersonalização os enfermeiros apresentaram maiores níveis do que os auxiliares |
|
Alkubati et al. 202512/ Arabia Saudita |
Transversal e correlacional |
Enfermeiros (n= 306) com idade média de 32 anos ♂♀ |
Maslach Burnout inventory |
No domínio exaustão emocional 21% dos participantes apresentaram classificação baixa, 29% moderada e 50% alta. No domínio despersonalização 10% apresentaram classificação baixa, 10% moderada e 80% alta. No domínio realização pessoal 1% apresentou classificação baixa, 10% moderada e 89% alta. A classificação total do Burnout foi de 46% |
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Myhren et al. 201313/ Noruega |
Transversal |
Enfermeiros (n= 129) com idade não divulgada ♂♀ |
Maslach Burnout inventory, Basic character inventory, Job satisfaction scale (JSS) e Cooper’s job stress questionnaire (CJSQ) |
Não foram observadas diferenças entre gêneros ou devido à experiência em relação à satisfação no trabalho, estresse no trabalho ou escores de burnout. Apenas o traço de personalidade neuroticismo (vulnerabilidade) apresentou diferença significativa entre os gêneros, com as mulheres apresentando pontuação mais alta em comparação aos homens. |
|
Cecere et al. 20234/ Itália |
Transversal |
Enfermeiros (n= 140) com idade entre 21 e 50 anos ♂♀ |
Maslach Burnout Inventory (MBI) |
Quanto maior foram os níveis de atividades físicas, qualidade emocional, qualidade social e qualidade de trabalho, menor foram os níveis de Burnout |
|
Gunduz e Ozturk, 202515/ Turquia |
Transversal e Correlacional |
Enfermeiros (n= 156) com idade entre 23 e 56 anos ♂♀ |
Mental Workload Scale (MWS) e Maslach Burnout Scale (MBI) |
31% dos enfermeiros relataram alta exaustão emocional, 18% relataram alta despersonalização e 46% baixa realização pessoal |
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Bartz e Maloney, 198616/ Arizona |
Transversal e Correlacional |
Enfermeiros (n= 89) militares e civis com idade entre 25 e 58 anos ♂♀ |
Maslach Burnout Inventory (MBI) |
- Quanto maior a idade, menos exaustão emocional e despersonalização. - Homens apresentaram mais exaustão
emocional e despersonalização que mulheres. |
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De Sousa Veloso et al. 202417/ Brasil |
Transversal e analítico |
Enfermeiros (n= 94) com idade média de 39 anos ♂♀ |
Maslach Burnout Inventory e Human Services Survey (MBI e HSS) |
No domínio exaustão emocional 9,6% apresentaram nível baixo, 27,7% moderado e 62,8% alto. No domínio despersonalização 7,4% apresentaram nível baixo, 27,7 moderado e 64,9% alto. No domínio Realização pessoal 3,2% apresentaram baixo nível, 19,1% moderado e 77,7% alto. |
|
Nowacka et al. 201818/ Polônia |
Transversal e descritivo |
Enfermeiros (n= 560) com idade entre 27 e 63 anos ♂♀ |
Maslach Burnout Inventory (MBI) |
34% apresentaram baixo nível de exaustão emocional, 29% nível moderado e 37% alto. No domínio despersonalização, 54% apresentaram nível alto, 26% nível moderado e 21% nível alto. No domínio realização pessoal 64% apresentaram baixo nível, 23% nível moderado e 13% nível alto. |
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Ozden et al.19/ Turquia |
Transversal e descritivo |
Enfermeiros (n= 138) com idade entre 22 e 48 anos ♂♀ |
Maslach Burnout Inventory (MBI) e Minesota Satisfaction Questionary (MSQ) |
Enfermeiros com 4 anos ou menos de serviço apresentaram menos (p< 0.05) realização profissional do que os profissionais com 5 anos ou mais. No domínio turno de trabalho, os profissionais que trabalhavam a noite apresentaram maior exaustão, maior despersonalização e menor realização profissional (p< 0.05) |
|
Chen e McMurray,20/ Australia |
Transversal e Correlacional |
Enfermeiros (n= 68) com idade entre 20 e 49 anos ♂♀ |
Maslach Burnout Inventory (MBI) |
Enfermeiros mais jovem sofrem mais exaustão emocional, despersonalização e realização pessoal (p<0.05). |
|
Zhang et al. 201421/ China |
Observacional |
Enfermeiros (n= 426) com idade entre 23 e 28 anos ♂♀ |
Maslach Burnout Inventory e Human Services Survey (MBI e HSS) |
88,5% dos enfermeiros que responderam ao questionário eram do sexo feminino e jovens, 16% com significativas taxas de exaustão emocional, despersonalização e realização profissional. Enfermeiros com maior tempo de trabalho (5 a 10 anos), um quarto do total, registraram alto nível de Burnout. |
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Sok et al. 202022/ Korea do Sul |
Transversal e Descritivo |
Enfermeiros (n= 115) com idade entre 25 e 40 anos ♂♀ |
Copenhagen Burnout Inventory (CBI) |
O Houve grande correlação do Burnout com a depressão e estresse no trabalho, participantes com idade entre 25 e 30 anos) apresentaram índices mais altos de depressão, Burnout e stress no trabalho. |
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Wright et al. 199323/ Estados Unidos |
Quantitativo, Correlacional e Transversal |
Enfermeiros (n= 31) com idade entre 31 e 37 anos ♂♀ |
Hardincss test, Nursing Stress Scale (NSS), Escala de tédio |
Não houve relação significativa entre estresse e Burnout e variáveis demográficas (idade, sexo, turno e unidade específica). |
|
Xie et al. 202024/ China |
Descritivo, Correlacional e Transversal |
Enfermeiros (n= 553) com idade entre 20 e 36 anos |
Maslach Burnout Inventory (MBI), Emotional Intelligence Scale (EIS) |
A atenção plena afetou indiretamente a exaustão emocional (p= 0.006), a despersonalização (p = 0.006), e a realização profissional (p= 0.05) |
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Yanbei et al. 202325/ China |
Transversal |
Enfermeiros (n= 479) com idade entre 25 e 35 anos |
Maslach Burnout Inventory e Human Services Survey (MBI e HSS) |
O burnout apresentou relação significativa com o a frustação no trabalho (p< 0.05), também houve diferenças significativas (p<0.05) no domínio frustação no trabalho. |
|
Yildiz et al. 202326/ Turquia |
Transversal |
Enfermeiros (n= 164) com idade entre 22 e 44 anos ♂♀ |
Maslach Burnout Inventory (MBI), Beck
Anxiety Inventory (BAI), Beck Depression Inventory |
47,6% apresentaram altos níveis de exaustão emocional, 15,9% altos níveis de despersonalização e 67,1% baixo nível de realização pessoal. 7,9% dos enfermeiros apresentaram depressão grave e 26,8% ansiedade grave. |
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Yousif e Al-Fayyadh, 202527/ Iraque |
Descritivo e Correlacional |
Enfermeiros (n= 377) com idade entre 21 e 60 anos ♂♀ |
Burnout Assessment Tool (BAT) |
70% dos participantes apresentaram nível de ansiedade normal, 16,2% moderada e 9,5% grave. 84% apresentaram nível de depressão normal, 10,1% moderada e 5,6% grave. |
DISCUSSÃO
Esta revisão sistemática teve o objetivo de analisar a incidência da síndrome de Burnout em profissionais de enfermagem nas unidades de terapia intensiva.
Diferentes ferramentas foram utilizadas para classificar os níveis da síndrome de Burnout, entretanto o instrumento mais utilizado foi o MBI. 10–18,20,21,24–26,28 Corroborando, 1 mostra apesar de diferentes versões da ferramenta MBI, a mais utilizada foi a versão original.1
A síndrome de burnout é descrita como uma reação prolongada ao estresse no ambiente de trabalho, marcada por um profundo cansaço físico, mental e emocional, resultando em uma diminuição da percepção de realização tanto pessoal quanto profissional. 4 Nesta revisão sistemática os domínios “exaustão emocional”, realização profissional” “despersonalização” foram mais utilizados e classificaram, os níveis da síndrome de Burnout, outra condição analisada foi a depressão. Na interpretação das dimensões, a exaustão emocional reflete a sensação de estar sobrecarregado e emocionalmente esgotado pelo trabalho. A despersonalização mede a distância emocional e o ceticismo em relação ao trabalho e aos outros. A realização pessoal avalia a sensação de competência e sucesso no trabalho.
Com isso, no domínio exaustão emocional, o estudo de Cabrera et al. 11 verificou que maiores níveis foram apresentados em enfermeiros e os profissionais que atuam na UTI. Os estudos de 16,20 analisaram a relação da idade dos participantes com a exaustão emocional, e os mais jovens apresentaram maiores níveis quando comparados aos mais velhos. Os estudos de 12,17 apresentaram valores acima de 50% do total de participantes com alto nível de exaustão emocional, enquanto os estudos 15,18,21,26 apresentaram valores com menos de 50% neste domínio.
No domínio realização profissional, 12,17,21 apresentaram classificação alta. Entretanto, os estudos de 15,18,26 apresentaram classificação baixa neste domínio. O fator idade foi analisado pelos estudos de 20,28 e os mais jovens apresentaram maior realização profissional.
No domínio despersonalização, os estudos de 12,17,18 mais de 50% dos respondentes apresentaram alto nível de despersonalização. Indivíduos mais jovens e os que atuavam no turno noturno apresentaram maiores níveis de despersonalização.
Uma limitação foi observada nesta revisão sistemática, como não foram utilizados filtros de região, diferentes países/ continentes foram incluídos, podendo ser um viés de confundimento nos resultados, levando em consideração que os sistemas de saúde, estrutura física e organizacional pode ser muito diferente entre os países.
CONCLUSÃO
Este estudo evidenciou uma elevada prevalência da síndrome de Burnout entre profissionais da enfermagem, corroborando achados prévios da literatura que apontam essa categoria como uma das mais vulneráveis ao esgotamento físico e emocional no contexto dos serviços de saúde. Os resultados indicam que fatores biológicos, como idade e sexo, fatores relacionados ao ambiente de trabalho, especialmente o turno de trabalho, bem como aspectos cronológicos, como o tempo de serviço, exercem influência significativa no desenvolvimento desse distúrbio. Profissionais mais jovens ou com maior tempo de exposição às demandas ocupacionais, bem como aqueles submetidos a jornadas prolongadas e turnos noturnos, parecem apresentar maior suscetibilidade ao Burnout, possivelmente em razão do acúmulo de estressores físicos, emocionais e psicossociais ao longo do tempo.
Com isso, as condições de trabalho da enfermagem, frequentemente caracterizadas por sobrecarga laboral, déficit de recursos humanos, baixa autonomia profissional e elevada responsabilidade assistencial, contribuem de forma expressiva para o desgaste emocional e a despersonalização, dimensões centrais da síndrome de Burnout. Tais fatores podem comprometer não apenas a saúde mental e física desses profissionais, mas também a qualidade da assistência prestada aos pacientes, impactando negativamente os desfechos em saúde e a segurança do cuidado.
Diante desse cenário, torna-se imprescindível a implementação de políticas públicas e institucionais voltadas à promoção da saúde ocupacional dos profissionais da enfermagem. Estratégias como a reorganização das jornadas de trabalho, adequação do dimensionamento de pessoal, oferta de apoio psicológico, programas de prevenção do estresse ocupacional e valorização profissional podem contribuir significativamente para a redução da prevalência do Burnout. Investir na melhoria das condições de trabalho e na qualidade de vida desses profissionais é fundamental não apenas para o bem-estar individual, mas também para o fortalecimento dos sistemas de saúde e para a garantia de uma assistência segura, humanizada e eficaz à sociedade.
Estudos futuros abordando outras variáveis (assédio moral e remuneração) podem auxiliar em possíveis soluções para reduzir o risco de desenvolvimento desta importante síndrome que afeta significativamente grande parte desses profissionais.
REFERÊNCIAS
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2. Cohen C, Pignata S, Bezak E, et al. Workplace interventions to improve well-being and reduce burnout for nurses, physicians and allied healthcare professionals: a systematic review. BMJ Open. 2023;13(6):e071203; doi: 10.1136/bmjopen-2022-071203.
3. Ramírez-Elvira S, Romero-Béjar JL, Suleiman-Martos N, et al. Prevalence, Risk Factors and Burnout Levels in Intensive Care Unit Nurses: A Systematic Review and Meta-Analysis. Int J Environ Res Public Health. 2021;18(21); doi: 10.3390/ijerph182111432.
4. Maresca G, Corallo F, Catanese G, et al. Coping Strategies of Healthcare Professionals with Burnout Syndrome: A Systematic Review. Medicina. 2022;58(2):327; doi: 10.3390/medicina58020327.
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6. Stutting HL. The Relationship Between Rest Breaks and Professional Burnout Among Nurses. Critical Care Nurse 2023;43(6):48–56; doi: 10.4037/ccn2023177.
7. Haddaway NR, Page MJ, Pritchard CC, et al. PRISMA2020 : An R package and Shiny app for producing PRISMA 2020‐compliant flow diagrams, with interactivity for optimised digital transparency and Open Synthesis. Campbell Systematic Reviews. 2022;18(2):e1230; doi: 10.1002/cl2.1230.
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Fomento e Agradecimento:
Não houve fonte de financiamento para este estudo.
Critérios de autoria (contribuições dos autores)
Diego Gama Linhares; Veronica de Souza Manhães: Conceituação
Diego Gama Linhares; David da Mata Ferreira Fidelis; Curadoria de dados
Maria Luísa Caldas Barboza de Oliveira: Análise formal; Captação de recursos
Veronica de Souza Manhães; Diego Gama Linhares: Investigação
Rodrigo Gomes de Souza Vale; Millena de Oliveira Lima: Metodologia
Alessandro Barbosa de Oliveira: Administração de projetos
Pedro Quintanilha Pinto; Letícia Aguiar da Silveira: Recursos
Diego Gama Linhares: Software
Rodrigo Gomes de Souza Vale: Supervisão
Diego Gama Linhares: Validação
Veronica de Souza Manhães; Diego Gama Linhares: Visualização; papéis/Redação - rascunho original
Rodrigo Gomes de Souza Vale: Redação - revisão e edição
Declaração de conflito de interesses
Nada a declarar
Editor Científico: Ítalo Arão Pereira Ribeiro. Orcid: https://orcid.org/0000-0003-0778-1447
Rev Enferm Atual In Derme 2026;100(1): e026021