RELATOS
INTERVENÇÃO EDUCATIVA COM USO DE CARTILHA NO CUIDADO A FERIDAS OPERATÓRIAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA
EDUCATIONAL INTERVENTION USING A WORKBOOK FOR THE CARE OF SURGICAL WOUNDS: A CASE REPORT
INTERVENCIÓN EDUCATIVA CON EL USO DE UN FOLLETO SOBRE EL CUIDADO DE LAS HERIDAS QUIRÚRGICAS: RELATO DE UNA EXPERIENCIA
https://doi.org/10.31011/reaid-2026-v.100-n.4-art.2821
1 Aglauvanir Soares Barbosa
2 Ana Clara Martins de Oliveira
3 Mariana Yasmin Soares Freitas
4 Luís Eduardo Castelo do Nascimento Aguiar
5Vitória Régia do Nascimento Souza
1 Universidade Estadual do Ceará. Fortaleza, CE, Brasil. Orcid: https://orcid.org/0000-0003-4909-563X
2 Centro Universitário Católica de Quixadá. Quixadá, CE, Brasil. Orcid: https://orcid.org/0009-0009-4266-2049
3 Centro Universitário Católica de Quixadá. Quixadá, CE, Brasil. Orcid: https://orcid.org/0009-0005-4778-7060
4 Centro Universitário Católica de Quixadá. Quixadá, CE, Brasil. Orcid: https://orcid.org/0009-0000-9964-214X
5 Centro Universitário Católica de Quixadá. Quixadá, CE, Brasil. Orcid: https://orcid.org/0009-0008-0843-8505
Autor correspondente
Aglauvanir Soares Barbosa
Universidade Estadual do Ceará. Av. Dr. Silas Munguba, 1700 - Itaperi, Fortaleza - CE, 60714-903, Brasil. E-mail: glauasb1@gmail.com
Submissão: 10-06-2026
Aprovado: 17-07-2026
RESUMO
Introdução: As feridas operatórias configuram-se como uma importante problemática no contexto do cuidado cirúrgico, sobretudo em virtude do risco de complicações associadas, como infecção do sítio cirúrgico, deiscência e atraso no processo de cicatrização. Objetivo: relatar a experiência de uma intervenção educativa baseada no uso de cartilha no cuidado a pacientes com feridas operatórias. Método: estudo descritivo, do tipo relato de experiência, desenvolvido no âmbito de um projeto de iniciação científica, no período de 2024 a 2025. A intervenção consistiu na elaboração e aplicação de uma cartilha educativa utilizada durante atendimentos ambulatoriais. A análise foi realizada de forma descritiva e reflexiva. Resultados: a cartilha apresentou linguagem acessível e conteúdo estruturado, abordando cuidados com curativo, alimentação, sinais de infecção e orientações gerais. Sua utilização favoreceu a padronização das orientações, facilitou a compreensão dos pacientes e contribuiu para o fortalecimento do autocuidado. Conclusão: a intervenção mostrou-se eficaz para promover o autocuidado, melhorar a compreensão das orientações e qualificar a prática de enfermagem.
Palavras-chave: Educação em Saúde; Feridas Cirúrgicas; Enfermagem; Autocuidado; Tecnologia Educacional.
ABSTRACT
Introduction: Surgical wounds represent a significant challenge in the context of surgical care, particularly due to the risk of associated complications, such as surgical site infection, wound dehiscence, and delayed wound healing. Objective: To report on the experience of an educational intervention based on the use of a booklet in the care of patients with surgical wounds. Method: A descriptive, experience-report study conducted as part of a scientific initiation project from 2024 to 2025. The intervention consisted of developing and implementing an educational booklet used during outpatient visits. The analysis was conducted in a descriptive and reflective manner. Results: The booklet featured accessible language and structured content, addressing wound dressing care, nutrition, signs of infection, and general guidelines. Its use promoted the standardization of guidelines, facilitated patient understanding, and contributed to strengthening self-care. Conclusion: The intervention proved effective in promoting self-care, improving understanding of guidelines, and enhancing nursing practice.
Keywords: Health Education; Surgical Wounds; Nursing; Self-Care; Educational Technology.
RESUMEN
Introducción: Las heridas quirúrgicas constituyen un problema importante en el contexto de los cuidados quirúrgicos, sobre todo debido al riesgo de complicaciones asociadas, como la infección del sitio quirúrgico, la deiscencia y el retraso en el proceso de cicatrización. Objetivo: Describir la experiencia de una intervención educativa basada en el uso de un folleto para el cuidado de pacientes con heridas quirúrgicas. Método: estudio descriptivo, del tipo relato de experiencia, desarrollado en el marco de un proyecto de iniciación científica, en el periodo comprendido entre 2024 y 2025. La intervención consistió en la elaboración y aplicación de un folleto educativo utilizado durante las consultas ambulatorias. El análisis se realizó de forma descriptiva y reflexiva. Resultados: el folleto presentaba un lenguaje accesible y un contenido estructurado, abordando los cuidados con los vendajes, la alimentación, los signos de infección y las orientaciones generales. Su uso favoreció la estandarización de las orientaciones, facilitó la comprensión de los pacientes y contribuyó al fortalecimiento del autocuidado. Conclusión: la intervención resultó eficaz para promover el autocuidado, mejorar la comprensión de las orientaciones y mejorar la práctica de la enfermería.
Palabras clave: Educación en Salud; Heridas Quirúrgicas; Enfermería; Autocuidado; Tecnología Educativa.
INTRODUÇÃO
As feridas operatórias configuram-se como uma importante problemática no contexto do cuidado cirúrgico, sobretudo em virtude do risco de complicações associadas, como infecção do sítio cirúrgico, deiscência e atraso no processo de cicatrização.1 Tais complicações estão diretamente relacionadas ao aumento da morbimortalidade, prolongamento do tempo de internação e elevação dos custos para os sistemas de saúde, constituindo um relevante desafio para a prática clínica e para a gestão do cuidado. Nesse cenário, a adoção de estratégias eficazes de prevenção e acompanhamento no período pós-operatório torna-se fundamental para a garantia de desfechos clínicos favoráveis.2
No âmbito da enfermagem, o cuidado às feridas operatórias extrapola a dimensão técnica, incorporando ações educativas que visam preparar o paciente para o autocuidado no domicílio. De acordo com Potter e Perry, o processo de ensino-aprendizagem em saúde é essencial para a promoção da segurança do paciente, especialmente em situações em que há continuidade do cuidado fora do ambiente hospitalar. Assim, a orientação adequada no pós-operatório constitui elemento central para a prevenção de complicações e para o fortalecimento da autonomia do indivíduo.3
Nesse contexto, a educação em saúde destaca-se como uma estratégia fundamental na prática de enfermagem, sendo reconhecida como ferramenta potente para promover mudanças comportamentais, ampliar o conhecimento dos pacientes e favorecer a adesão às recomendações terapêuticas.
Entre as diferentes tecnologias educativas utilizadas na prática assistencial, as cartilhas destacam-se por sua acessibilidade, baixo custo e potencial de alcance, especialmente em contextos ambulatoriais e comunitários.4 Esses materiais permitem a organização sistematizada das orientações, associando linguagem simples e elementos visuais, o que favorece o processo de aprendizagem e a retenção das informações. Além disso, possibilitam que o paciente consulte o conteúdo sempre que necessário, reforçando as orientações recebidas durante o atendimento.
Sob a perspectiva das teorias de enfermagem, a Teoria do Autocuidado de Dorothea Orem oferece importante sustentação teórica para a compreensão do papel do enfermeiro nesse processo. Segundo essa teoria, o cuidado de enfermagem deve estar voltado à identificação de déficits de autocuidado e à implementação de intervenções que promovam a capacidade do indivíduo de cuidar de si.5 Nesse sentido, as tecnologias educativas, como as cartilhas, configuram-se como instrumentos fundamentais para apoiar o desenvolvimento da autonomia do paciente, especialmente no contexto do cuidado com feridas operatórias, que exige acompanhamento contínuo e atenção a sinais de complicação.
Apesar da reconhecida importância das estratégias educativas no cuidado pós-operatório, observa-se na literatura a necessidade de maior sistematização e análise das intervenções desenvolvidas na prática assistencial, particularmente no que se refere ao uso de tecnologias educativas e seus contributos para o autocuidado e para a qualificação da assistência de enfermagem. Tal lacuna evidencia a relevância de estudos que explorem experiências aplicadas e suas implicações para a prática clínica e para a formação profissional.
Diante disso, o presente estudo tem como objetivo relatar a experiência de uma intervenção educativa baseada no uso de cartilha no cuidado a pacientes com feridas operatórias, evidenciando seus contributos para o autocuidado, prevenção de complicações e qualificação da prática de enfermagem.
MÉTODOS
Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, desenvolvido no âmbito de um projeto de iniciação científica vinculado ao curso de Enfermagem de uma instituição de ensino superior do interior do Ceará, Brasil. O estudo refere-se à elaboração e aplicação de uma intervenção educativa voltada ao cuidado de pacientes com feridas operatórias, realizada entre os anos de 2024 e 2025, em diferentes cenários assistenciais.
A experiência foi desenvolvida em serviços de saúde que realizam acompanhamento de pacientes no período pós-operatório, incluindo unidades ambulatoriais, hospitalares e da atenção primária, o que possibilitou a abordagem de indivíduos com diferentes necessidades de cuidado e favoreceu a ampliação do alcance das ações educativas.
Participaram da experiência pacientes em acompanhamento pós-cirúrgico e indivíduos com feridas operatórias que demandavam orientações relacionadas ao autocuidado no domicílio. Também estiveram envolvidos acadêmicos de enfermagem integrantes do projeto, sob supervisão docente, responsáveis pela mediação das ações educativas e pela utilização do material instrucional durante os atendimentos.
A intervenção educativa teve como eixo central a utilização de uma cartilha intitulada Cuidados com a ferida operatória, elaborada com base em evidências científicas e previamente validada quanto ao conteúdo por juízes especialistas na área. O processo de validação evidenciou Índice de Validade de Conteúdo (IVC) satisfatório com um IVC 0,91, confirmando a clareza, relevância e adequação do material ao público-alvo.
O material foi estruturado de modo a contemplar orientações sobre higienização da ferida, troca de curativos, alimentação no período de recuperação, sinais de infecção, retirada de pontos, cuidados durante o banho e recomendações gerais para o período pós-operatório. Além do conteúdo textual, a cartilha incorporou recursos visuais e organização didática com vistas a facilitar a comunicação de forma simples, reforçar as orientações verbais e favorecer a retenção das informações pelos pacientes.
As ações educativas foram realizadas de forma individualizada, durante os atendimentos de enfermagem, por meio de abordagem dialógica, apresentação do conteúdo da cartilha, esclarecimento de dúvidas e reforço das principais orientações relacionadas ao cuidado domiciliar. A utilização do material educativo buscou favorecer a padronização das informações transmitidas, ampliar a participação do paciente no processo de cuidado e fortalecer o autocuidado no período pós-operatório.
Para a sistematização da experiência, consideraram-se como eixos analíticos: a construção e organização do material educativo; a aplicabilidade da cartilha nos cenários assistenciais; os contributos da intervenção para o autocuidado dos pacientes; e as repercussões da experiência na prática de enfermagem e na formação acadêmica dos discentes envolvidos. A análise foi desenvolvida de forma descritiva e reflexiva, com base na observação das ações realizadas, na interação estabelecida com os pacientes e na apreciação crítica dos contributos da intervenção para o cuidado em saúde.
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, conforme parecer nº 6.857.599, respeitando os princípios éticos previstos na Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde.
RESULTADOS
A experiência possibilitou a construção, implementação e análise de uma intervenção educativa estruturada, mediada por tecnologia educativa impressa, direcionada ao cuidado de pacientes com feridas operatórias no período pós-cirúrgico.
A cartilha intitulada Cuidados com a ferida operatória foi elaborada com base em evidências científicas e estruturada em linguagem acessível, visando atender às necessidades educativas de pacientes em acompanhamento pós-operatório. O material apresentou organização didática sequencial, com divisão por tópicos e utilização de recursos visuais que favoreceram a compreensão das informações.
O conteúdo contemplou orientações essenciais relacionadas ao cuidado domiciliar, incluindo higienização da ferida, troca de curativos, alimentação adequada, identificação de sinais de infecção, cuidados durante o banho e orientações quanto à retirada de pontos. Destaca-se a inclusão de instruções passo a passo para a realização do curativo, com ênfase na limpeza com solução fisiológica a 0,9% em sentido único, cobertura adequada da lesão e higienização das mãos antes e após o procedimento.
Além disso, o material abordou aspectos relacionados à alimentação no período de cicatrização, incentivando o consumo de proteínas e hidratação adequada, bem como orientações sobre hábitos a serem evitados. A identificação de sinais de infecção, como febre, dor, vermelhidão, secreção e odor, foi apresentada de forma objetiva, favorecendo o reconhecimento precoce de complicações.
A cartilha também incluiu orientações práticas relacionadas ao cotidiano do paciente, como cuidados durante o banho, manutenção da ferida protegida nas primeiras 48 horas e tempo adequado para retirada dos pontos, reforçando a segurança no processo de recuperação.
Figura 1 – Cartilha educativa utilizada na intervenção. Quixadá – CE, Brasil. 2025.
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A intervenção educativa foi implementada em diferentes cenários de atenção à saúde, incluindo ambientes ambulatoriais, hospitalares e da atenção primária, permitindo sua adaptação a distintas realidades assistenciais. A utilização da cartilha durante os atendimentos de enfermagem favoreceu a sistematização das orientações e contribuiu para maior organização do processo educativo.
Observou-se que o material atuou como mediador da comunicação entre profissional e paciente, possibilitando que as orientações fossem transmitidas de forma mais clara, estruturada e visualmente compreensível. A presença do recurso educativo facilitou a condução das consultas, permitindo maior interação e participação ativa dos pacientes no processo de aprendizagem.
A utilização da cartilha demonstrou potencial para fortalecer o autocuidado, ao promover maior compreensão das orientações e incentivar a adoção de práticas seguras no manejo da ferida operatória no domicílio. Os pacientes apresentaram maior segurança em relação à realização do curativo e à identificação de sinais de alerta, evidenciando melhor preparo para o cuidado fora do ambiente institucional.
Ademais, durante as orientações, observou-se a manifestação de dúvidas frequentes relacionadas ao tempo adequado de manutenção do curativo oclusivo, ao uso de pomadas tópicas, ao momento oportuno para retirada dos pontos, à necessidade de exposição da ferida ao ar e às sensações locais, como prurido no processo de cicatrização. A abordagem dessas questões contribuiu para o esclarecimento de condutas, redução de inseguranças e fortalecimento da autonomia dos pacientes no manejo da ferida operatória no ambiente domiciliar.
A padronização das orientações contribuiu para a redução de informações fragmentadas, favorecendo a continuidade do cuidado e a prevenção de complicações. Nesse sentido, a cartilha configurou-se como ferramenta relevante para a promoção da segurança do paciente no período pós-operatório.
No âmbito da prática profissional, a intervenção contribuiu para a qualificação da assistência de enfermagem, ao favorecer a organização e sistematização das orientações fornecidas aos pacientes. A cartilha atuou como suporte ao processo educativo, reforçando o papel do enfermeiro como educador em saúde.
Para os acadêmicos de enfermagem, a participação na elaboração e aplicação da cartilha possibilitou o desenvolvimento de competências relacionadas à educação em saúde, comunicação terapêutica e prática clínica. A vivência contribuiu para a integração entre teoria e prática, promovendo maior segurança na abordagem dos pacientes e fortalecimento da formação profissional.
DISCUSSÃO
A utilização de tecnologias educativas no cuidado a pacientes com feridas operatórias tem sido amplamente reconhecida como estratégia relevante para a promoção do autocuidado e prevenção de complicações no período pós-operatório.
Neste estudo, a cartilha educativa demonstrou-se um recurso facilitador no processo de ensino-aprendizagem, ao favorecer a organização das orientações e a comunicação entre profissional e paciente, contribuindo para maior compreensão das informações e adesão às práticas de cuidado.
Os achados corroboram evidências da literatura que apontam que intervenções educativas estruturadas são capazes de promover mudanças no comportamento dos pacientes, especialmente quando associadas a recursos didáticos que utilizam linguagem acessível e suporte visual. A utilização de materiais impressos, como cartilhas, tem se destacado por sua capacidade de reforçar as orientações verbais e permitir que o paciente retome as informações no ambiente domiciliar, favorecendo a continuidade do cuidado e reduzindo a ocorrência de eventos adversos.6
No contexto do cuidado pós-operatório, destaca-se que a transição do ambiente hospitalar para o domicílio representa um momento crítico, no qual o paciente passa a assumir maior responsabilidade sobre seu cuidado.7 Nesse sentido, a disponibilização de ferramentas educativas contribui para reduzir inseguranças, promover autonomia e apoiar a tomada de decisões relacionadas ao manejo da ferida operatória, especialmente quanto à realização do curativo e identificação de sinais de complicação.8
Sob a perspectiva teórica, os resultados deste estudo dialogam diretamente com os pressupostos da Teoria do Autocuidado de Dorothea Orem, ao evidenciar o papel do enfermeiro na identificação de necessidades de cuidado e na implementação de intervenções que favoreçam o desenvolvimento da autonomia do indivíduo.9 A cartilha educativa, nesse contexto, configura-se como tecnologia leve que subsidia o processo educativo, fortalece a capacidade de autocuidado e contribui para a segurança do paciente.
Além disso, a padronização das orientações por meio da cartilha mostrou-se um aspecto relevante para a prática de enfermagem, ao reduzir a variabilidade das informações transmitidas e favorecer a sistematização do cuidado. Tal achado reforça a importância da utilização de instrumentos educativos estruturados como suporte à prática assistencial, especialmente em serviços com alta demanda e diversidade de perfis de pacientes.10
No âmbito da formação acadêmica, a participação dos estudantes na construção e aplicação da intervenção educativa evidenciou-se como estratégia potente para o desenvolvimento de competências relacionadas à educação em saúde, comunicação terapêutica e prática clínica.11 Ademais, a inserção em cenários reais de cuidado possibilita uma formação mais crítica e reflexiva, alinhada às necessidades da prática profissional contemporânea.
Como limitação, destaca-se o caráter descritivo do estudo, que não permite estabelecer relações de causalidade ou generalização dos resultados. Além disso, não foram utilizados instrumentos padronizados para avaliação do impacto da intervenção educativa, o que limita a mensuração objetiva de seus efeitos. Contudo, a experiência relatada apresenta relevância por evidenciar a aplicabilidade de uma tecnologia educativa no contexto assistencial e seus contributos para o cuidado em enfermagem.
Diante disso, recomenda-se a realização de estudos futuros com delineamentos metodológicos mais robustos, que possibilitem avaliar de forma sistemática o impacto de intervenções educativas na prevenção de complicações e na promoção do autocuidado em pacientes com feridas operatórias. Ressalta-se, ainda, a importância da incorporação de tecnologias educativas na prática assistencial, como estratégia para qualificação do cuidado e fortalecimento da autonomia dos pacientes e a formação acadêmica do enfermeiro.
CONCLUSÕES
A experiência relatada permitiu evidenciar que a utilização de uma intervenção educativa mediada por cartilha constitui estratégia relevante para o cuidado de pacientes com feridas operatórias, ao favorecer a compreensão das orientações, fortalecer o autocuidado e contribuir para a prevenção de complicações no período pós-operatório, respondendo ao objetivo proposto pelo estudo.
Do ponto de vista assistencial, destaca-se que a incorporação de tecnologias educativas no cotidiano da enfermagem qualifica o processo de cuidado, ao promover a sistematização das orientações, ampliar a autonomia dos pacientes e reforçar o papel do enfermeiro como educador em saúde. Ademais, a experiência demonstrou potencial para contribuir com a formação acadêmica, ao possibilitar o desenvolvimento de competências relacionadas à comunicação, educação em saúde e prática clínica.
No âmbito científico, os achados reforçam a importância da produção e utilização de tecnologias educativas como instrumentos de apoio ao cuidado, evidenciando sua aplicabilidade em diferentes cenários assistenciais. Entretanto, ressalta-se a necessidade de investigações com delineamentos metodológicos mais robustos, que possibilitem avaliar de forma sistemática o impacto dessas intervenções sobre desfechos clínicos, adesão ao tratamento e qualidade de vida dos pacientes.
Assim, recomenda-se o desenvolvimento de novos estudos que aprofundem a temática, especialmente aqueles que integrem abordagens quantitativas e qualitativas, a fim de ampliar a base de evidências e subsidiar a implementação de práticas educativas cada vez mais efetivas na enfermagem.
REFERÊNCIAS
1 Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Relatório da avaliação nacional das práticas de segurança do paciente em serviços com UTI. Brasília-DF: Anvisa; 2025. Disponível em: https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiZGJhM2Q4NjktMjllZC00M2UyLTg0ZjAtNjYzMjZlOWM2MDBjIiwidCI6ImI2N2FmMjNmLWMzZjMtNGQzNS04MGM3LWI3MDg1ZjVlZGQ4MSJ9
2 Dilmen O, Meço B, Evered L, Radtke F. Postoperative neurocognitive disorders: A clinical guide. J clinical anesthesia. 2023; 92: 111320. Doi: https://doi.org/10.1016/j.jclinane.2023.111320.
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4 Pires APB, Leite PAR, Oliveira SA, Vasconcelos MG. Tecnologias educativas empregadas no processo de alta hospitalar para apoiar pacientes e cuidadores: revisão integrativa. Rev. enferm. UFPI. 2025;14:e6966. Doi: 10.26694/reufpi.v14i1.6966
5 Araújo TL, Lopes MVO, Vitor AF. Teoria do déficit de autocuidado: análise da sua importância e aplicabilidade na prática de enfermagem. Esc Anna Nery. 2010;14(3):611-6. Doi: https://doi.org/10.1590/S1414-81452010000300025
6 Weidmann A, Sonnleitner-Heglmeier A, Dartsch D. Effect of patient education videos on modifying medication-related health behaviours: A systematic review using the behaviour intervention functions. Patient educ counseling. 2023;117:107992. Doi: https://doi.org/10.1016/j.pec.2023.107992.
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11 Ambrosetti É, Gaudin C, Flandin S, Poizat, G. Students as co-designers in health professional education: a scoping review. BMC Medical Educ. 2025 May 3;25(1):645. Doi: https://doi.org/10.1186/s12909-025-07110-0.
Este estudo foi desenvolvido com o apoio do Programa de Iniciação Científica (PIC), no Centro Universitário Católica de Quixadá, que contribuiu para o fortalecimento da pesquisa e para a formação acadêmica dos discentes, possibilitando o desenvolvimento de projetos científicos.
Declaração de disponibilidade de dados
Não foram gerados bancos de dados neste estudo. As informações apresentadas estão descritas no corpo do artigo
Declaração de conflito de interesses
Nada a declarar.
Critérios de autoria (contribuições dos autores)
Os autores participaram de todas as etapas do desenvolvimento do estudo, incluindo levantamento, leitura e análise científica, planejamento da intervenção educativa, apresentação da cartilha educativa aos pacientes, acompanhamento das atividades desenvolvidas, discussão dos resultados obtidos e construção do manuscrito. Além disso, contribuíram para a revisão crítica do conteúdo, adequação às normas do periódico e aprovação final da versão a ser submetida para publicação.
Editor Científico: Ítalo Arão Pereira Ribeiro. Orcid: https://orcid.org/0000-0003-0778-1447